Por Laercio
Silva
Jornalista DRT
0003919, especializado em segurança no trabalho, ergonomia aplicada e
higienista ocupacional.
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Os acidentes
envolvendo motocicletas na Paraíba continuam a ocorrer de forma grave,
destacando os perigos presentes no trânsito estadual. Os dados estatísticos que
consideram apenas os acidentes atendidos em dois hospitais não levam em conta
outros incidentes não registrados, indicando que o número real é muito maior.
Para obter uma
estimativa mais precisa do total de ocorrências no estado, os dados dos
hospitais de referência são reunidos pela Secretaria de Estado da Saúde
(SES-PB) e divulgados às segundas-feiras.
Registros
referentes ao final de semana de 25 a 27 de setembro 2026.
Hospital de
Emergência e Trauma de Campina Grande: Foram registrados mais de 65
atendimentos a vítimas de acidentes de motocicleta.
Hospital de
Emergência e Trauma de João Pessoa: Historicamente, a unidade registra uma
média entre 80 e 100 atendimentos de vítimas de motocicleta aos fins de semana.
Setembro de 2026, nossa amiga Amanda
faleceu vítima de um grave acidente de trânsito.
A frieza dos
números se transforma em rosto, uma dor profunda quando recordamos de
trabalhadoras como Amanda Ferreira de Lima, que era uma participante ativa da
Associação de Motogirls e Entregadoras da Paraíba e Coletivo de Motogirls JP –
Trabalhadoras por Aplicativo de João Pessoa.
Eco
aterrorizante.
Na Paraíba a
cada 22 minutos, uma pessoa chega a um hospital de emergência gravemente ferida
devido à violência no trânsito. A cada 25 minutos, um motociclista se envolve
em um acidente de trânsito que exige atendimento hospitalar. Segundo boletins
oficiais da Secretaria de Saúde do Estado, esses números representam cadeiras
vazias à mesa do jantar, pais e mães que saíram para trabalhar e retornaram em
uma cadeira de rodas ou caixão, maioria de jovens cujos planos de vida foram
brutalmente interrompidos. Nos sete primeiros meses do ano, os dois principais
hospitais públicos de trauma na Paraíba, o Hospital de Emergência e Trauma
Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, e o Hospital Dom Luiz Gonzaga
Fernandes, em Campina Grande, registraram um total de 13.848 atendimentos
relacionados a acidentes de trânsito. Desses casos, os motociclistas
representam a maioria dolorosa: 11.893 vítimas, ou seja, 85,8% de todos os
atendimentos por acidentes nesses hospitais.
Ocorrências de
acidentes e mortes.
João Pessoa: Um motoboy de 40 anos faleceu choque carro e moto, AV Epitácio
Pessoa um homem de 29 anos ficou em estado grave após colidir, sua motocicleta
com um carro durante uma tentativa de conversão no canteiro central.
Campina Grande: Duas pessoas ficaram feridas após a moto em que estavam cair
dentro de um canal, Um ciclista de 34
anos, morreu após perder o controle de sua moto e atingir um pedestre.
Santa Rita: Um motociclista de 50 anos, morreu em um grave acidente carro e
moto.
Conde: Uma mulher morreu no local e um homem ficou ferido.
Sertão: Registrado acidente fatal envolvendo carro e moto no trecho
entre Sousa e São Gonçalo.
Cariri: Colisão entre duas motocicletas deixou dois mortos e um feridos
levados ao Trauma de Campina Grande.
Interior e
Rodovias: Acidentes em rodovias estaduais, como duas
colisões com animais na pista (registradas em trechos como Esperança e Areial
PB) e registro de três quedas, que mobilizaram equipes de resgate no Agreste e
Sertão paraibano.
Principais
Fatores de Risco
Imprudência: O excesso de velocidade e a desatenção lideram as causas de
sinistros.
Equipamento de
proteção: A falta de uso de equipamentos de proteção
por motociclistas aumenta drasticamente o risco de lesões graves e morte no
trânsito.
Animais na
pista: A presença de animais soltos em rodovias
estaduais representa perigo constante para quem pilota.
Riscos e
Consequências da falta de proteção: Fraturas graves,
escoriações profundas e lesões permanentes e mortes.
Aumento de
sequelas traumas faciais: Cerca de 45% dos impactos
em acidentes de moto ocorrem na região do rosto.
Vulnerabilidade
física: Sem uma carcaça de proteção, o corpo do
motociclista absorve diretamente o impacto de colisões e quedas no asfalto.
No Brasil:
Líder em
proporção/taxa: O Piauí registra que
cerca de 72,7% das mortes no trânsito no estado envolvem motocicletas, a maior
taxa proporcional do país.
Segundo
colocado: O Ceará aparece logo em seguida como o
segundo estado com mais acidentes proporcional de mortes de motociclistas no
trânsito.
Rodovias
federais: Em termos de números absolutos de
ocorrências em estradas federais em períodos específicos (como no primeiro
semestre de 2026), estados de grande malha viária como a Bahia também registram
picos expressivos de registros e óbitos contabilizados pela Polícia Rodoviária
Federal (PRF).
Atlas da
Violência 2026: Divulgou que, em 2024, o
Brasil registrou 15.459 mortes envolvendo motocicletas, o que representa
41,6% de todos os óbitos no trânsito do país dados até agosto.
Dados de operações
e apreensões motocicletas na PB:
Não há um número
exato e atualizado em tempo real referente à quantidade total de motos
apreendidas na Paraíba. No entanto, dados parciais de operações realizadas pela
Polícia Militar do estado apontam para milhares de apreensões ao longo do ano,
principalmente por causa de escapamentos adulterados e infrações de trânsito.
Nos primeiros oito meses desse um ano, conforme o balanço divulgado pela
Operação Randandan do BPTran, aproximadamente 3,5 mil motos foram apreendidas
por utilizarem canos de descarga barulhentos ou modificados. Ações específicas
e realizadas nos finais de semana também resultam na apreensão de dezenas de
veículos em uma única operação, como por exemplo, 40 motos recolhidas em
Campina Grande ou 45 em Cubati durante ações pontuais.