Por Laercio
Silva
Jornalista
especializado em segurança no trabalho, ergonomia aplicada e higienista
ocupacional.
Muitas
críticas foram feitas nas redes sociais ao governo por essa decisão, não estou
me referindo à política, mas sim ampliando a discussão na área tecnológica.
Como não
sou especialista na área, estudei diversas fontes de pesquisa e artigos em
busca de conhecimento.
Aumento da
porcentagem de etanol anidro na gasolina é estimado em um período de utilização
bastante curto para gerar problemas significativos no motor do veículo. A regra
tem validade inicial de 180 dias, podendo ser estendida por mais 180 dias. O
país vai economizar tanto na utilização quanto na importação de gasolina devido
ao aumento da porcentagem de etanol na mistura. O Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE) decidiu elevar o teor de etanol anidro na gasolina de 30%
para 32%, conhecido como E32. Economia na Importação: essa mudança
diminui a dependência de fontes externas, resultando em uma economia aproximada
de 500 milhões de litros de gasolina importada por mês, o que equivale a cerca
de 900 milhões de litros ao longo do ano. Quanto ao desempenho testes
realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, uma instituição de ensino
superior em São Caetano do Sul – SP voltada à educação e à pesquisa científica
e tecnológica para promover o desenvolvimento nacional, mostraram que a mistura
não prejudica os veículos, e que funcionaram de maneira equivalente a composição
anterior.
Está
registrado nos relatórios:
Para a
maioria da frota brasileira circulante, o impacto é mínimo, mas o aumento do
teor de etanol na gasolina pode sim acelerar ao longo do tempo o desgaste ou
prejudicar o funcionamento de motores específicos.
Entenda
como o aumento afeta cada categoria de carro e quais componentes mecânicos vai exigir
atenção:
Impacto
real: O motorista sentirá apenas
um leve aumento no consumo de combustível. O etanol possui menor poder
energético (calorífico) que a gasolina, exigindo maior volume injetado para
entregar a mesma potência.
Carros flex
nacionais e importados o motor não é prejudicado, os veículos flex são
desenvolvidos para suportar qualquer proporção de etanol (até o hidratado puro,
vendido separadamente na bomba). Todo o sistema desde mangueiras, bombas e até
a central eletrônica foi projetado com materiais resistentes à corrosão e com
sensores capazes de ajustar a injeção automaticamente.
Carros
importados superesportivos como marcas premium, BMW, Audi, Mercedes, Porsche e
Land Rover, veículos de
luxo exclusivos movidos a gasolina podem ter problemas de desgaste prematuro no
motor. Mesmo com a calibração para o mercado brasileiro, são muito sensíveis às
propriedades químicas do combustível, muitos modelos equipados com motores de injeção direta de alta
pressão podem ter complicações devido à presença de álcool. Isso pode resultar
em perda de lubricidade na injeção direta, corrosão de peças metálicas,
ressecamento de mangueiras e maior carbonização nas válvulas pode encurtar a
vida útil de componentes como a bomba de alta pressão e os bicos injetores a
longo prazo.
Carros
antigos com carburados ou injeção antiga o motor é prejudicado com o abastecimento,
há risco considerável de danos.
Veículos
antigos fabricados décadas atrás foram projetados quando a gasolina tinha
teores muito baixos de etanol (ou zero). Nesses motores, o alto percentual de
etanol atual pode provocar:
Corrosão e
Oxidação: O etanol é corrosivo para peças metálicas antigas (incluindo
tanques de ferro e carburadores).
Ressecamento
de mangueiras e borrachas de vedação antigas ressecam e racham com
facilidade em contato excessivo com o álcool, gerando riscos de vazamento.
Falhas de
Funcionamento nos carros com carburadores ou sistemas de injeção mais
arcaicos não conseguem regular a mistura eletronicamente para compensar o
etanol. Isso gera engasgos, perda severa de potência e muita dificuldade na
partida.
O etanol soltar sujeiras que se acumulam no fundo do tanque, causando entupimentos no filtro mais cedo. A injeção antiga do veículo fica no limite, podendo haver um desgaste maior, resultando em queima ineficiente. A bomba de combustível e os bicos injetores sofrem mais atrito e desgaste devido à falta de lubrificação da gasolina pura.