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Por Laercio Silva
Jornalista DRT
0003919, especializado em segurança no trabalho, ergonomia aplicada e
higienista ocupacional.
Neste artigo, vou compartilhar
minha visão sobre os avanços em duas partes: a economia, na qual tenho pouco
conhecimento, e a SST, na qual tenho mais experiência.
Com os avanços nos
direitos trabalhista como: em 1923 aposentadoria, 1936 salário mínimo,
1943 CLT, 1962 décimo terceiro salário, 1988 seguro desemprego e 2026 fim da
escala 6 x 1, a retórica que "o país vai quebrar" é uma constante ao
longo de mais de um século de história das relações de trabalho no Brasil.
Sempre que um direito ou salvaguarda social é proposto para humanizar a jornada
do trabalhador ou garantir renda mínima, os setores contrários alertam para o
"colapso econômico", o "desemprego em massa" e a
"falência das indústrias".
A evolução dos direitos
trabalhistas ao longo do tempo mostra que os receios iniciais foram superados
com o crescimento do mercado interno e da economia, evidenciando que as medidas
foram bem-sucedidas e contribuíram para o desenvolvimento do país e melhoria de
vida dos trabalhadores (as).
Vamos falar sobre Segurança e
Saúde no Trabalho.
A discussão sobre o fim da
escala 6x1 (seis dias de trabalho para um dia de descanso) ganhou grande
relevância social e política por impactar diretamente a saúde física, mental e
os direitos fundamentais do trabalhador e a diminuição do tempo a exposição aos
riscos ambientais nas empresas.
A seguir, apresentamos os
principais motivos pelos quais a mudança para escalas de trabalho mais
flexíveis ou reduzidas (5x2) é vista como um marco na proteção dos
trabalhadores:
Proteção da saúde mental e emocional.
A eliminação do regime de
trabalho 6x1 representa um alívio na sobrecarga psíquica contínua. Trabalhar
somente com um dia de folga por semana mantém um ciclo quase constante de
fadiga e estresse, favorecendo o desenvolvimento da Síndrome de Burnout, que é
o esgotamento físico e mental causado pela exposição prolongada ao estresse no
ambiente profissional sem tempo suficiente para recuperação. Ter apenas um dia
de descanso por semana impede que o cérebro se desconecte completamente da
rotina de trabalho.
Prevenção de transtornos de ansiedade
e depressão: A privação frequente de descanso adequado e a
ausência de perspectivas de tempo livre estão cientificamente ligadas ao
aumento dos quadros depressivos e ansiosos entre trabalhadores que atuam em
turnos intensos.
Recuperação física e prevenção
de doenças crônicas:
O organismo humano necessita
de períodos de descanso para reparar danos musculares, regular os níveis
hormonais e restaurar o sistema imunológico. Uma rotina prolongada sem descanso
adequado compromete a estrutura do sono e a privação crônica do sono a longo
prazo, eleva a pressão arterial, aumenta o risco de doenças cardíacas, AVC e
distúrbios metabólicos como o diabetes favorece a não prevenir LER/DORT, ou
seja, Lesões por Esforço Repetitivo e Distúrbios Osteomusculares relacionados
ao trabalho, como tendinites e dores na região lombar, é fundamental garantir
tempo suficiente para a regeneração muscular e articular. Além disso, o
descanso adequado reduz significativamente a incidência de acidentes de
trabalho, pois a fadiga acumulada diminui a concentração, o tempo de reação e o
nível de atenção do trabalhador. Do ponto de vista humano e ergonômico, quando
o trabalhador chega ao final do ciclo em estado de exaustão, as chances de
cometer erros, falhas operacionais e sofrer acidentes graves aumentam
consideravelmente em setores como indústria, comércio, transporte e saúde.
Promoção do Bem-Estar Social e
Reconciliação Familiar.
A proteção ao trabalhador vai
além da preservação de sua integridade física no ambiente de trabalho,
incluindo também o direito a uma vida digna e ao convívio social. Tempo para a
vida pessoal e lazer com apenas um dia de folga — muitas vezes utilizado para
tarefas domésticas, compras ou descanso devido ao cansaço — o trabalhador perde
a chance de participar de atividades de lazer, culturais ou de prática de
exercícios físicos.
Fortalecimento dos laços
familiares e sociais: Ter mais dias de descanso possibilita um
convívio mais próximo com filhos, parceiros e comunidade, fortalecendo a rede
de apoio interpessoal, que é fundamental para a saúde emocional. A folga a mais
é incentivo ao desenvolvimento pessoal e educação qualificação e capacitação. O
regime de trabalho de seis dias por semana dificulta o ingresso do trabalhador
em cursos técnicos, graduação ou treinamentos. Garantir mais tempo livre
favorece a mobilidade social e amplia as perspectivas de crescimento profissional
a longo prazo.
Síntese dos Impactos
Descanso Mental: O acúmulo
crônico de estresse e cansaço pode ser evitado com mais tempo de desconexão e
recuperação mental.
Integridade Física: Para
evitar lesões por esforço repetitivo e privação de sono, é importante permitir
a regeneração muscular e reduzir o risco cardiovascular.
Segurança no Trabalho:
Diminuir o risco de acidentes por cansaço é possível com maior atenção e menos
falhas operacionais.
Vida Pessoal: É
essencial ter tempo real para lazer, família e desenvolvimento pessoal, sem que
a folga seja absorvida por tarefas domésticas básicas.
Em resumo, o fim da escala de trabalho 6x1 vai além do aspecto econômico, sendo uma medida sanitária e de Direitos Humanos que busca humanizar as relações de trabalho e garantir a saúde física e mental dos trabalhadores.
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