Por Ascom
MPT-PB.
Encenação de Cordel em
praça pública e música marcam evento encerrado com pit stop e adesivagem de
veículos no Centro da cidade
O Ministério Público do
Trabalho na Paraíba (MPT-PB) lançou na tarde desta quarta-feira (17), no
'Terreirinho do Forró', em Patos, no Sertão paraibano, a Campanha 2026 de
Prevenção e Combate ao Trabalho Infantil no São João. A encenação teatral do
Cordel “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil” por crianças e adolescentes do
Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos dos Centros de Referência e
Assistência Social (CRAS) de Patos marcou o evento em praça pública, no Centro
da cidade. O lançamento foi encerrado com pit stop e adesivagem de veículos.
A edição 2026 da Campanha de Combate ao Trabalho Infantil no São João tem como mote o Cordel que aborda, em uma linguagem acessível e regional, a exploração do Trabalho Infantil no ambiente digital e no futebol. O Cordel traz, de forma cultural e pedagógica, caso emblemático da Paraíba de exploração do trabalho infantil nas redes sociais. A história se passa no ambiente escolar e acontece no período junino. O Cordel é assinado pela poetisa Anne Karolynne.
A Campanha é realizada em
parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação da Prefeitura
de Patos, com o Instituto Paraibano de Prevenção e Erradicação do Trabalho
Infantil (IPPETI), o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil
(Fepeti-PB) e várias instituições da Rede de Proteção à Infância que integram
essa ação no São João. O evento reuniu autoridades, integrantes de órgãos
parceiros, a rede de proteção e a sociedade.
“A campanha é muito mais
do que um desenho e um Cordel. São diversas ações desenvolvidas ao longo do
período junino, de junho e julho. Essa iniciativa serve também para debatermos
e dialogarmos para que a sociedade tenha consciência cada vez mais sobre os
malefícios que o trabalho infantil ocasiona. Além da Campanha, durante os
festejos, várias atividades são realizadas pela ‘Rede de Proteção’, como pit
stop, buscas ativas, afixação de cartazes nos locais da festa, bares,
restaurantes, hotéis e pousadas. Além disso, os comerciantes da festa assinam
um termo onde informa que não podem utilizar mão de obra infantil e devem
obedecer a algumas obrigações. Ou seja, é um momento de fortalecer essa rede de
proteção, ressaltou o procurador do Trabalho Raulino Maracajá, coordenador
Regional de Combate ao Trabalho Infantil e de Promoção e Defesa dos Direitos de
Crianças e Adolescentes do MPT na Paraíba.
O céu estava colorido de
bandeirolas e balões. Apresentações culturais deram o brilho ao evento.
Crianças e adolescentes do CRAS Mariana Alves apresentaram a peça teatral,
dando vida ao Cordel da campanha e reforçando a mensagem “Chega de Trabalho
Infantil”. Já meninas do CRAS Matheus Leitão, apresentaram um balé com músicas
regionais. A jovem Jêmilly Abdon cantou o jingle da campanha, acompanhada pelo
pai, o maestro Esdras e pelo músico Élcio do Acordeon.
‘Casa Menina Francisca’
A secretária de
Desenvolvimento Social e Habitação de Patos, Helena Wanderley, destacou que as
ações de prevenção e combate ao trabalho infantil são realizadas durante todo o
ano pela ‘Rede de Proteção’, mas são intensificadas no mês de junho, período marcado
pelo Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. “Nesse período dos festejos
juninos, a Prefeitura de Patos e toda a Rede de Proteção’ reforçam as
informações e orientações para as famílias e para a sociedade, fortalecendo
esse cuidado com as nossas crianças e adolescentes”, afirmou.
Helena também ressaltou a
importância da parceria com o Ministério Público do Trabalho e a implantação da
‘Casa Menina Francisca’, espaço criado para garantir proteção aos filhos de
trabalhadores que atuam durante o São João. “É mais um espaço de prevenção e
combate ao trabalho infantil, onde os filhos dos barraqueiros, catadores de
recicláveis e outros trabalhadores podem ficar em um ambiente seguro enquanto
suas famílias trabalham durante os festejos”, destacou.
Números preocupam
De cada 10 denúncias de
crimes na Internet, seis são de abuso e exploração sexual de crianças e
adolescentes, segundo a ONG SaferNet. A Paraíba tem aproximadamente 38 mil
crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho infantil,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Brasil, há
1,65 milhão de meninos e meninas nessa situação.
O trabalho infantil
impacta diretamente o direito à educação. Segundo o IBGE, entre crianças e
adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, 88,8% eram
estudantes, frente a 97,5% na população total da mesma faixa etária. A maior
diferença aparece entre adolescentes: de 16 e 17 anos, a frequência escolar cai
de 90,5% (população total) para 81,8% entre aqueles em situação de trabalho
infantil.
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