Por Laercio Silva
Jornalista especializado em segurança no trabalho, ergonomia aplicada,
instrutor de bombeiro civil e higienista ocupacional.
Com base
nas informações que li em várias postagens nas redes sociais, farei algumas
considerações antes da divulgação do laudo final dos peritos do Corpo de
Bombeiros Militar e da Polícia Civil. Utilizarei meu conhecimento na área de
segurança e formação como instrutor de Bombeiro Civil para analisar o caso.
Informações
que li sobre a dinâmica da explosão.
Um
vazamento de gás acetileno pode ter causado a explosão de um carro que resultou
na morte de Glácio de França Arcanjo, de 30 anos, na cidade de Sapé, na
Paraíba, nesta quarta-feira (17). A hipótese foi levantada pelo Corpo de
Bombeiros.
De acordo
com os bombeiros, dois cilindros estavam dentro do carro e podem ter vazado o
gás, um de acetileno e outro de oxigênio. Com a explosão, os cilindros foram
arremessados para fora do veículo. “A explosão provavelmente ocorreu devido ao
vazamento do acetileno, um gás inflamável, que ficou confinado dentro do carro
no baú do Fiat Fiorino e gerou uma centelha ao abrir o baú causando a explosão”.
disse o tenente Gláuco, do Corpo de Bombeiros.
Uma perícia
está sendo realizada para determinar a causa exata da explosão. As casas da mãe
e da esposa da vítima foram atingidas e temporariamente interditadas devido aos
danos estruturais.
A explosão
aconteceu na comunidade Sapucaia, em Sapé PB. Os bombeiros encontraram a vítima
com ferimentos graves, sendo arremessada para dentro de uma residência devido à
força da explosão. O veículo envolvido era uma Fiat Fiorino baú na cor branca,
pertencente a uma empresa de bebidas alcoólicas que ficou completamente
destruído.
Glácio foi
socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Descrevo:
Os
cilindros devem ser transportados em carrocerias metálicas abertas para evitar
o acúmulo de gás, e em caso de incêndio o metal diminuir o risco da propagação
do fogo, ter extintores de incêndio disponíveis, ferramentas de borracha com
cabos de madeira ao usar evita atritos e fio terra que ajuda a evitar a
formação de campos eletrostáticos. A carroceria deve ser sinalizada por placas
universais, conforme determinação da UNO, que indicam o produto transportado
por meio de cores e números, que servem para em caso de emergências,
socorristas e bombeiros podem identificar e avaliar a distância os riscos
intrínsecos, observando essas sinalizações. Os cilindros precisam estar
apoiados em suportes com bases firmes, presos com correntes, sempre na posição
vertical nunca na horizontal (deitados) para evitar pressão indevida sobre os
manômetros e válvulas de segurança. O uso de capacetes de proteção nos
cilindros é obrigatório durante o transporte, protegem os dispositivos de
segurança.
O condutor
deve ter 21 anos acima, possuir habilitação D ou E, curso de MOPP Movimentação Operação
de Produtos Perigosos, uso de EPI equipamento de proteção individual, capacete,
respirador, protetor facial luva, vestimenta antifogo, calçado
preferencialmente sem componentes metálicos, equipamentos indicados por
especialista.
O
transporte inadequado de cilindros de gases inflamáveis e explosivos é uma
infração grave que gera risco de explosão, asfixia ou incêndio. A operação
exige veículos específicos, documentação rigorosa, cilindros separados para
evitar incompatibilidade dos gases, os cilindros devem ser manuseados com
carrinhos apropriados, evitando impactos ou quedas.
As
principais regras e proibições que regem esse tipo de transporte incluem:
Proibido em
veículos de passeio: O transporte em carros baú fechados
(sem ventilação adequada), qualquer vazamento pode acumular o gás e causar uma
explosão com a simples ignição da chave de partida do carro ou toque do celular em chamada.
Proibido o
transporte com passageiros ou outras cargas: É
terminantemente proibido transportar explosivos e gases simultaneamente com
materiais incompatíveis, passageiros ou pessoas não autorizadas e sem habilitada
à atividade.
Posição
incorreta: Cilindros pressurizados devem ser
mantidos sempre na vertical, presos com correntes e suportes. O transporte na
horizontal pode danificar a válvula e transformar o cilindro em um projétil
caso ela se rompa as válvulas, podendo ser arremessados com uma força
destrutiva massiva em colisões ou freadas bruscas.
Falta de
ventilação e sinalização: O veículo precisa ser
aberto ou contar com ventilação natural/exaustão e placas de sinalização de
perigo e indicação do produto na parte traseira e nas laterais.
Vazamento e
Formação de Atmosfera Explosiva: Gases como
o acetileno são inflamáveis. Se a válvula do cilindro for danificada durante o
transporte sem a proteção adequada, o gás escapa, bastando uma simples faísca
(ou o acionamento elétrico do veículo) para detonar.
Acúmulo de
gás: Em um veículo fechado, qualquer microvazamento na válvula do
cilindro ou nas mangueiras pode criar rapidamente uma atmosfera explosiva. Uma
simples faísca elétrica (como a abertura de uma porta, o acionamento do alarme
ou a ignição do carro) é suficiente para detonar o ambiente.
Intensificação
de Combustão: O oxigênio em si não pega
fogo, mas enriquece a atmosfera do ar, com ele faz com que qualquer material
queime muito mais rápido, as reações químicas ficam aceleradas no processo de combustão.
Exposição
Térmica: O calor do interior de um carro baú aumenta
a pressão interna do cilindro, elevando o perigo de ruptura estrutural.
Fonte de Ignição: Qualquer energia térmica, faísca elétrica, atrito mecânico ou chama aberta eletricidade estática é capaz de atingir a temperatura de ignição da mistura. Quando o material combustível está disperso no ar (nuvem de poeira ou vapor) e encontra o oxigênio na faixa de inflamabilidade, o contato com uma fonte de ignição fecha o ciclo, provocando a detonação.
Conclusão:
Devido ao espaço limitado no compartimento de armazenamento do veículo, é provável que os cilindros estivessem sendo transportados deitados, na posição horizontal. Isso pode ter causado atritos entre as cápsulas, rompimento das mangueiras ou até mesmo a abertura acidental dos manômetros, pois estavam sem o capacete de proteção. Isso poderia resultar na liberação acidental do gás sob alta pressão, "de acordo com informações, o veículo funcionava com GNV gás natural veicular o que agravou a situação".
Vídeo reportagem
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