Por Laercio
Silva
Jornalista
DRT 0003919, especializado em segurança no trabalho, ergonomia aplicada e
higienista ocupacional.
Sophie
Lainault, uma ex-comissária da Air France de 59 anos, teve seu câncer de mama
reconhecido como uma doença relacionada ao trabalho. Ela atuou na companhia por
trinta anos de 1989 e 2019, primeiro como comissária de bordo e
posteriormente como chefe de cabine acumulando mais de 12.600 horas de
voo, sendo mais de 6.500 dessas horas realizadas durante o período noturno, o
que aumentou sua exposição à radiação cósmica e ao tabagismo passivo dentro da
cabine.
A decisão
também analisou fatores genéticos e estilo de vida da funcionária, o
tribunal considerou o fato as condições específicas da profissional no local de
trabalho, essa medida pode criar um precedente para que outras profissionais da
aviação também reivindiquem benefícios semelhantes, incluindo aposentadoria
vitalícia isenta de impostos, dependendo do grau de incapacidade avaliado. Além
disso, destaca a importância de reconhecer os riscos profissionais relacionados
ao câncer de mama no ambiente de trabalho.
Radiação cósmica.
A exposição à
radiação cósmica é um desafio para os tripulantes de avião. Quando voam em
altitudes elevadas, eles ficam sujeitos a partículas do espaço, com maior
exposição em rotas de longa distância, principalmente em voos próximos aos
polos.
Estudos
científicos têm investigado a possível ligação entre o trabalho noturno e o
câncer de mama. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC),
ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou o trabalho noturno que afeta
o ritmo circadiano como "provavelmente carcinogênico para humanos".
Pesquisas específicas com tripulações aéreas também encontraram indícios de associação com o câncer de mama, embora haja limitações e possíveis fatores de confusão nos estudos.
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