terça-feira, 14 de maio de 2019

Governo tenta, mas não consegue descaracterizar acidente de trajeto


Comissão mista aprovou relatório da MP 871 com alterações. Texto vai para o plenária da Câmara e depois para o Senado (Geraldo Magela/Agência Senado)
Relatório aprovado nesta semana no Congresso Nacional exclui item que ameaçava estabilidade após afastamento e depósito de FGTS. Sindicalistas e observadores criticam medida do Executivo.

Aprovado na última quinta-feira (9) em comissão mista no Congresso, o relatório sobre a Medida Provisória (MP) 871 acabou retirando um item que já provocava bastante polêmica: a descaracterização dos acidentes ocorridos no trajeto casa-trabalho como acidentes de trabalho. Para tentar um acordo, o relator, deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), acatou 120 emendas, de um total de 578, e retirou o dispositivo que isentava o empregador de responsabilidade em acidentes ocorridos durante o percurso.

A iniciativa do governo provocou protestos de sindicalistas e especialistas em saúde do trabalho. “É mais uma tentativa de tirar responsabilidade do empregador e direito do trabalhador”, resume Carlos Damarindo, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. “É um pleito antigo das empresas”, observa.

Atualmente, quem sofre acidente indo de casa para o trabalho, ou no sentido contrário, e necessita de afastamento recebe um benefício, o chamado auxílio-doença acidentário. O funcionário continua tendo direito ao FGTS e garante estabilidade de 12 meses após o retorno ao serviço.

“Descaracterizar os acidentes que ocorrem no percurso da residência até o local de trabalho e vice-versa como sendo acidentes de trabalho, com o argumento de não ser tempo à disposição do empregador, além de ser um contrassenso, uma vez que que essas horas de locomoção já representam um dispêndio da força de trabalho da classe trabalhadora para quem a paga um salário, representa vulnerabilizá-la ainda mais, colocando-a num limbo da proteção social no Brasil, já tão fragilizada”, critica Daniele Correia, socióloga do Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat).

“Cabe a pergunta: se não é responsabilidade do empregador, será responsabilidade de quem? Do Estado brasileiro? Um Estado que tardiamente criou um sistema de seguridade social que completou apenas três décadas e, de forma inconclusa, vai se responsabilizar de que forma?”, questiona Daniele.

Para ela, não faz sentido a argumentação governista de que era preciso “adaptar” a legislação previdenciária às mudanças na lei trabalhista. “A contrarreforma trabalhista por si só não faz nenhum sentido para os interesses da classe trabalhadora. Ela vai na contramão dos direitos sociais duramente conquistados, que já tinham seu limites, por nunca resolver os conflitos entre capital versus trabalho. Agora, descaracterizar também na legislação previdenciária indica claramente a opção política, o projeto de sociedade que estamos sendo impelidos a vivenciar.”

Essa é também a perspectiva do diretor do Sindicato dos Bancários. “No nosso entendimento, o trabalhador já está à disposição da empresa (no trajeto).” Ele lembra que é uma situação recorrente, ainda mais em uma cidade como São Paulo, com limitações crônicas de mobilidade.

A mudança na CLT refere-se à jornada de trabalho. Um item aprovado na Lei 13.467, de “reforma” trabalhista, estabelece que o tempo gasto pelo empregado “desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador” não será computado na jornada.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, divulgou nota em que critica a proposta, agora retirada do texto. “Entendemos que o trabalhador, ao sofrer um acidente a caminho ou voltando do trabalho, e impossibilitado de trabalhar, precisará mais do que nunca do auxílio do Estado, e não pode ficar desamparado como pretende o governo aos propor tais mudanças”, afirma.

Sub-notificação
Os dados disponíveis são de certa forma “alarmantes”, diz Damarindo. De 2012 a 2018, segundo ele, citando dados do Observatório do Ministério Público do Trabalho, foram notificados quase 400 mil acidentes dessa natureza. Desde casos relativamente simples, como cortes, até fraturas e esmagamento. A ocorrência mais comum é de fratura, com 31% dos casos.

De acordo com a técnica do Diesat, os acidentes de trajeto representam em média 20% dos acidentes de trabalho registrados na Previdência Social. Mas ela observa que, além desse número considerável, existe grande sub-notificação nas estatísticas, ou seja, casos não notificados. “E, obviamente, não quantifica aqueles que estão em trabalhos informais”, lembra Daniele.

Ela acrescenta que muitos casos são caracterizados apenas como acidentes de trânsito, sem entrar na estatística da Previdência ou da Saúde. “Isso nos mostra uma questão importante: o país não tem sequer dados fidedignos à respeito da situação concreta em que está submetida a classe trabalhadora, apesar dos dados que temos já apontar um genocídio populacional. Em vez de caminhar em direção de maior proteção social, caminha na desconstrução da mínima que existe”, aponta.

A MP do pretenso “pente-fino” na Previdência segue agora para o plenário da Câmara. Aprovada, vai para o Senado.

Fonte: Rede Brasil Atual

Certificado por participação na Campanha Abril Verde Paraíba 2019

Gestora da Biblioteca Alice de Toledo e servidora da SRT/PB, Jovirene Pereira.

Trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão no Sertão da PB


Eles enfrentavam calor e umidade e o risco constante de desabamento; além de não ter acesso a água potável, nem banheiros.

Redação Paraíba Já Redação Paraíba Já  

Uma operação resgatou 12 trabalhadores que atuavam na extração de caulim na cidade de Salgadinho, no Sertão da Paraíba. Os trabalhadores estavam em condições análogas à escravidão, de acordo com informações publicadas no Blog do Sakamoto, da Folha de São Paulo.

A auditora fiscal do trabalho que coordenou a operação, Gislene Stacholski, declarou que os resgatados enfrentavam condições degradantes de trabalho. Eles eram descidos por cordas, em poços abertos no solo, até profundidades de 40 a 60 metros da superfície sem qualquer equipamento de proteção individual ou segurança.

Os trabalhadores ainda enfrentavam calor e umidade e o risco constante de desabamento para explorar o mineral branco. Não havia água potável, nem banheiros. Ganhavam entre R$ 500,00 e R$ 600,00 mensais. A operação contou com a participação de auditores fiscais do trabalho, do Ministério Público do Trabalho, da Defensoria Púbica da União e da Polícia Rodoviária Federal.

A equipe de fiscalização está analisando outros corresponsáveis pela exploração dos trabalhadores e, portanto, a informação sobre os empregadores será revelada posteriormente para não atrapalhar as investigações.

O caulim é um mineral inerte, usado na indústria de borracha, papel, plásticos, pesticidas, rações, produtos farmacêuticos, entre outras. As informações são do ClickPB.

Fonte

segunda-feira, 13 de maio de 2019

DEBATE NACIONAL: A NOVA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO

13 de Junho de 2019

Auditório do Sindpd - Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo

Av. Angélica, 35 - Santa Cecília - São Paulo – SP

13h30 – FUNDAMENTOS DA PROTEÇÃO AO TRABALHO

Palestrante Convidado:

JOSÉ ROBERTO SEVIERI – Diretor da ABS – Agência Brasil de Segurança e Diretor Operacional de Gerenciamento de Riscos da ABIMEX – Associação Brasileira das Indústrias de Materiais Explosivos e Agregados

14h00 - COM A DESREGULAMENTAÇÃO E SIMPLIFICAÇÃO COMO FICARÃO AS NR’S – NORMAS REGULAMENTADORAS?

Palestrante Convidado:

BRUNO SILVA DALCOMO – Secretário do Trabalho do Ministério da Economia

15h00 – COMO A FISCALIZAÇÃO FUNCIONARÁ DENTRO DAS EXPECTATIVAS DE MUDANÇAS DAS NR’S?

Palestrante Convidado:

CELSO AMORIM DE ARAUJO – Secretário da Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia

16h00 – COMO A SUPERINTENDENCIA REGIONAL DO TRABALHO DO ESTADO DE SÃO PAULO ESTÁ SE ORGANIZANDO PARA ESTES NOVOS TEMPOS?

Palestrante Convidado:

MARCOS ANTONIO MELCHIOR – Superintendente Regional do Trabalho do Estado de São Paulo

18h00 – Conclusões com posicionamentos finais dos representantes das entidades realizadoras e Encerramento

Realização:

ABIMEX – Associação Brasileira das Indústrias de Materiais Explosivos e Agregados;

ABPA – Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes;
ABRAETD - Associação Brasileira de Especialistas e Trabalhadores Disbaricos;

ABRASTT - Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora;

ABRATEST – Associação Brasileira dos Técnicos de Segurança do Trabalho;
ABS – Agência Brasil de Segurança;

ANIMASEG – Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho;

CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros;

DIESAT – Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho;

FENATEST - Federação Nacional dos Técnicos de Segurança do Trabalho;
IBG - Instituto Brasileiro de Gestão;

FNE - Federação Nacional Dos Enfermeiros;

SEESP - Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo;

SINDEX - Sindicato da Indústria de Explosivos no Estado de São Paulo;

SINDINUTRI - Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo;

SINTESTE-CE – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado do Ceará;

SINDITEST-PE – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de Pernambuco;  
     
SINDPD - Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do estado de São Paulo;

SINTES-MT – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de Mato Grosso;

SINTESGO – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de Goiás;

SINTESP – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de São Paulo;

SINTEST-MA – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado do Maranhão;

SINTEST-MG – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de Minas Gerais;

SINTEST-PB – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho da Paraíba;

SINTEST-PI – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado do Piauí;

SINTESTAL – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de Alagoas;

SINDITESTRS – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado do Rio Grande do Sul;

SINTSERJ – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro;

SINTST RN – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado do Rio Grande do Norte; e

SOBES – Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança.

Inscrições: mandar nome, cargo, empresa/entidade, ddd, fone, celular e email para presidente@abratest.org.br ou pelo fone (31) 4115-1577 com Catherine ou Robson.

Convite Reunião do CPR PB


Governo vai modernizar Normas Regulamentadoras de SST


Brasília/DF - As Normas Regulamentadoras (NRs) de segurança e saúde no trabalho vão passar por um amplo processo de modernização. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (9) pelo secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, na abertura da 31ª edição do Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro. "Trazer investimentos para o Brasil passa pela criação de um ambiente propício, acolhedor e saudável para quem vai empreender. Por isso a importância da desburocratização e da simplificação de regras", afirmou.

Marinho explicou que toda a normatização na área de saúde e segurança no trabalho está sendo revista, com foco na desregulamentação e na simplificação. O secretário destacou que a situação atual prejudica diretamente a produtividade das empresas e a capacidade de o Brasil competir com outros países. "Hoje, há custos absurdos em função de uma normatização absolutamente bizantina, anacrônica e hostil", disse.

A primeira norma a ser revista será a NR-12, que trata da regulamentação de maquinário, abrangendo desde padarias até fornos siderúrgicos. A previsão é de que a nova NR do setor seja entregue em junho. 

A modernização atingirá todas as NRs e outras regras. "Existem quase 5 mil documentos infralegais, portarias, instruções normativas, decretos da década de 1940 que ainda são utilizados para nossa fiscalização, de forma arbitrária", salientou. Com as alterações, também devem ser uniformizados os procedimentos, para evitar diferenças na fiscalização entre os estados. "Hoje não há uniformização de procedimentos, não há nitidez nesse processo, não há clareza e não há transparência", pontuou.

Um pequeno empresário, por exemplo, chega a ser submetido a 6,8 mil regras distintas de fiscalização, destacou Rogério Marinho. "É impossível que ele entenda e se adeque a essas regras. Nossa ideia é reduzir isso em 90%", disse.

Processo virtuoso - Segundo o secretário, a modernização das NRs faz parte de um processo virtuoso, que tem a integridade fiscal como espinha dorsal, rumo à retomada do crescimento. Essa integridade, porém, depende da redução do déficit fiscal. "A reestruturação fiscal é o que dá previsibilidade e segurança jurídica e permite buscar as parcerias necessárias para que o País saia da situação em que se encontra", destacou.

De acordo com Rogério Marinho, isso só será possível com a aprovação das mudanças no sistema previdenciário, previstas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019, apresentada pelo governo ao Congresso em 20 de fevereiro.

Ele lembrou que o resgate da saúde das contas públicas é importante principalmente a população mais pobre e mais frágil, porque o desequilíbrio fiscal reduziu a capacidade do governo de atender às demandas da sociedade. A meta é permitir mais investimentos públicos em áreas como saúde, educação e segurança.

O secretário observou que o governo está cumprindo seu papel de gestor na modernização do setor previdenciário, mostrando que os trabalhadores terão de trabalhar um pouco mais e pagar um pouco mais, mas com a certeza do pagamento das aposentadorias no futuro. "Mas quem tem mais, vai pagar mais, e quem tem menos, paga menos. Essa é a essência, a mensagem que está inserida no processo", destacou.

Marinho ressaltou a importância dos debates que estão sendo promovidos pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a Nova Previdência. O secretário está otimista. "Agora, na Câmara, haverá vários debates sobre o tema, com pontos de vista diferentes, e não tenho dúvida de que, no fim de maio ou princípio de junho, ela estará votando o relatório", afirmou.

Fonte

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