sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Precarização das ações de segurança do trabalho no Brasil

Por: Laercio Silva

É de fundamental importância para as ações de proteção à saúde e de prevenção de acidentes nas empresas os profissionais do SESMT e das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs) que ainda sofrem com a falta de uma cultura prevencionista.

Uma marca brasileira registrada na prevenção de acidentes do trabalho é a falta de planejamento nas empresas. Infelizmente não se trata de um privilegio apenas de nossa área. Nossa cultura para o trabalho desde muito vem baseada na importância de apenas fazer produção que cria entraves para as atividades dos profissionais da saúde e segurança.

Vem sendo confiadas culturas de modificações para implantar em muitas empresas a prática da mudança e investimentos em treinamentos, aprimoramento da visão dos administradores sobre a importância da otimização dos afazeres dos serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho nas questões de saúde e segurança nas or­ganizações.

Em alguns casos os empresários esquecem de que é preciso mudar alguns hábitos e forma de agir de algumas pessoas chaves na instituição, a atuação falha no agir acaba fazendo com  que todas as áreas gastem muito dinheiro para fazer coisas que se bem planejadas seriam feitas com menos tempo, menos recursos, menos acidentes e conseqüentemente gerando menos problemas.

Os números indicam que mais da metade dos profissio­nais de segurança que estão ligados a empresas afirmam que não são reconhecidas a importância da prevenção e acabam contratando prevencionistas apenas por força da lei. Enfren­tam o problema de desvios de função que muitas vezes revoga retardando o investimento para corrigir as falhas apontadas pelo setor de segurança refletindo negativamente na prevenção de acidentes.

O problema incide principalmente nos recém-formados, que, por fal­ta de experiência, acabam se sujeitando a modificações em suas atribuições no trabalho. Nesse ca­so, a forma mais comum de desvio é a colocação do ­técnico, na prática, como auxiliar de escritório, a­tu­ando, por exemplo, no controle da en­trega de vale transporte, cestas básicas, no moni­tora­men­to de ­ponto e outros.

Os médicos do trabalho e engenheiros de segurança do tra­balho também sofrem com o desvio. Mais precisamente, com o acúmulo de fun­­­­ções. Em alguns casos, mé­­dicos acabam também desempenhando atividades de medicina clínica, assim co­mo os engenheiros de segurança se tornam responsáveis pela Segurança Patrimo­nial e gerente de produção.

A reversão desse quadro de­pende de uma mudança na consciência dos empresários que tem ar­gu­men­to de que a fiscalizações do Ministério do Trabalho dificilmente conseguiriam detectar esses casos e dos profissionais que acabam se acomodan­do agregando funções em troca de salário.

Muitos não vêem que a identificação de um problema no presente, representa uma eco­nomia para o futuro. A correção custa muitas vezes mais do que a pre­venção.

Mudança de paradigma, maior valorização das ações implantadas, promovendo competições saudáveis entre os setores de forma a despertar a vi­são de que a eliminação dos riscos e a promoção de um ambiente saudável são boas para todos, empresas e trabalhadores.

A “conscientização” só vem com o tempo quando o empresário que deixou de fazer prevenção tem de arcar com indenizações e ações regressivas por acidentes de trabalho.

Acredito em uma maior compreensão dos empresários ­sobre a importância da prevenção no futuro para a sobrevivência das organizações uma vez que, para ele, a a­tenção à saúde e à segurança tende a se tornar um elemento essencial para empresa suportar custos de passivos trabalhistas, ambientais e até de impactos negativos sobre sua marca e sobrevivência na competição de mercado. 

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