quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Escolas de samba em Manaus descumprem TAC referente a segurança

Gisele Rodrigues 

Uso de serras e solda dos metais são feitos sem equipamentos de segurança por trabalhadores nos barracões.

Foto: Sandro Pereira

Manaus - Parte das escolas de samba do Grupo Especial de Manaus descumpre o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em 2013 com o Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT-AM), para garantir a segurança do trabalhador nos galpões. O cumprimento do TAC condiciona o recebimento de patrocínio do governo do Estado, este ano no valor de R$ 3.545.213,00.
Em visita aos galpões da Avenida do Samba, na zona centro-sul de Manaus, nessa terça-feira (13), o PortalD24AM flagrou funcionários trabalhando sem capacete, óculos de proteção, luvas e botas.
No galpão da Balaku Blaku, as rotas de fuga em caso de incêndio estavam sinalizadas, mas não há extintores de incêndio nos locais indicados. A agremiação foi a única obrigada a pagar 7% do repasse da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) devido as irregularidades encontradas pelos fiscais, em 2014.
No barracão da Sem Compromisso, os trabalhadores envolvidos com a solda dos metais que compõe os carros alegóricos improvisavam máscaras com camisas. O boné substituía o capacete. O trabalho começou em dezembro, segundo Alexandre Aires, responsável pelo barracão, e a escola já havia sido multada em R$ 15 mil pelo descumprimento das cláusulas do TAC.
Aires explicou que a agremiação possui todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), de uso obrigatório, mas, segundo ele, a utilização atrapalha o andamento da montagem dos carros alegóricos.
“A doutora (procuradora do Trabalho, Fabiola Salmito) não entende que isso aqui não é uma empresa comum, como as outras. São pessoas da comunidade, isso aqui é outro tipo de trabalho”, justificou.
A procuradora Fabiola Salmito planeja nova fiscalização nos barracões para averiguar as condições dos locais e a segurança dos trabalhadores prevista no TAC.
De acordo com o MPT, em 2014, os procuradores fiscalizaram todas as agremiações e constataram várias falhas referentes à saúde e segurança tais como: problemas no sistema elétrico (fios descascados, instalações elétricas sem proteção); instalações sanitárias precárias; pessoas morando nos galpões onde só deveriam permanecer durante a jornada de trabalho; trabalhadores sem contrato de trabalho, sem exame admissional; falta de equipamentos de segurança como extintores de incêndio e o não fornecimento de equipamentos de proteção.
A Reino Unido da Liberdade foi a única que não pagou multa, ano passado, por oferecer, segundo o órgão, um meio de trabalho adequado e cumprir as obrigações referentes aos contratos dos trabalhadores.
As escolas Grande Família, Mocidade Independente de Aparecida e Vitória Régia pagaram multa de 5% do valor do contrato de patrocínio.

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